A Escola como Espaço Público

Muito mais do que simplesmente ensinar conteúdos, os profissionais da educação nas nossas escolas, distribuídas por muitas e diferentes comunidades, têm o papel fundamental de observar a realidade em que atuam para ajudar no desenvolvimento dos muitos sujeitos que a compõem.
Na escola transitam estudantes e seus familiares, mas não só, também demais membros da comunidade que tenham relação aos estudantes ou não, para as mais diversas atividades, sejam elas educacionais e curriculares ou de exercício da cidadania, em diferentes situações.  
É a partir da ideia de cultura e de diversidade cultural que reconhecemos a variedade de modos de vida, de histórias e de identidades de grupos com origens comunitárias próprias, os quais estão presentes na escola. Reafirmamos que as dimensões de desigualdade social e de diversidade cultural precisam ser tratadas pela escola por meio do reconhecimento de seus alunos na condição de crianças e jovens que possuem múltiplas histórias a partir de suas condições e seus modos de vida.
É possível constituir ambientes de trocas culturais, nos quais a diversidade pode manifestar-se como elemento que fortalece espaços públicos desde a compreensão e valorização do modo de vida comunitário, sendo indispensável que a escola e seus sujeitos desenvolvam práticas desse gênero para melhor lidar com a diversidade em seu interior.  (CAREGNATO & MEINERZ, 2012, p.10).
Nesse sentido, é necessário usar o espaço escola, na sua totalidade para promover a cultura de valorização dos aprendizados, de conteúdos escolares ou quaisquer outras habilidades que possam ser diretamente aplicadas na vida prática desses sujeitos. Cabe aos educadores tirar proveito desse interesse direto das pessoas em desenvolver determinada habilidade para passar ensinamentos importantes como regras básicas de convivência em sociedade, respeito, empatia, organização, ética, profissionalismo, além de matemática, português, história, geografia e demais conteúdos curriculares.
No dia-a-dia escolar diferentes relações se evidenciam no sentido de promover a cultura e educação das crianças e jovens que se fazem alunos por participar da escola, a partir das atividades propostas pelos professores. Faz-se urgente observar a realidade e a comunidade em que atuam esses profissionais para a partir dela elaborar o trabalho a ser aplicado. Metodologias diferentes se fazem necessárias para desenvolver as habilidades dos estudantes em diferentes contextos. Não cabe aos professores impor uma cultura completamente diversa do que aquela comunidade tem como hábito. Não digo aqui que os professores devam deixar de passar valores fundamentais de cidadania e respeito, ética e educação para se adequarem aos evidenciados na comunidade, mas, sim, respeitar os sujeitos em que atuam para conseguir efetivamente que a educação aconteça.
Casos de indisciplina são os maiores problemas enfrentados pelos professores que atuam nas escolas da rede pública no Brasil. Como uma das alternativas para solucionar esse problema, ressalta-se a necessidade de conhecer as situações que geram essa indisciplina. “Ainda temos dificuldades de manter os jovens na escola e de tornar a escolarização uma experiência rica em aprendizagens significativas.” (CAREGNATO E MEINERZ, 2012, p.12). Como fazer os estudantes quererem aprender? De que forma fazê-los valorizar a escola trazê-los para dentro da instituição? Rejeitar a cultura que esse estudante traz é a primeira alternativa para gerar desinteresse dele pelo discurso, mas principalmente indisciplina, além de revolta para, quem sabe até, perdermos esse jovem do contexto educacional.
Assim, observa-se que a escola é um espaço de fundamental importância para o desenvolvimento das crianças e jovens que por ela transitam. É urgente que esses jovens desenvolvam a cultura de valorizar o conhecimento e nós, professores, temos o papel de descobrir meios para levá-los a isso, respeitando as diferentes culturas que cada estudante traz para essa instituição tão importante da nossa sociedade.

REFERÊNCIA
CAREGNATO, Célia Elizabete; MEINERZ, Carla Beatriz. Educar para a Diversidade: viver diferenças e tensionar a desigualdades na escola. FACED/UFRGS.

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