PROJETO DE ENSINO DE LÍNGUA INGLESA 2010/2
Projeto Grupo de Estudos de Inglês
Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta
Profª Cláudia Yoshida
2010/2
O projeto “Grupo de Estudos de Inglês” teve como finalidade oferecer o ensino de Inglês intensivo a estudantes na faixa etária de 14 a 17 anos, alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta. A justificativa para a concretização de tal projeto se deu devido a falta de interesse dos educandos em aprender o idioma, bem como a realidade sociocultural de muitos deles, que passam cerca de quatro horas nas escolas regulares e no restante do tempo, por absoluta falta de atividades extracurriculares, ou ficam em casa vendo televisão, ou ficam nas ruas, o que pode os levar a se envolverem com diversos “problemas” contemporâneos da sociedade. O presente projeto visou sanar em parte estas deficiências, pois os adolescentes desta faixa etária frequentaram aulas de Língua Inglesa no seu próprio bairro, sem a necessidade de gastos extras. Além de ocuparem seu tempo ocioso com uma atividade lúdica, esses jovens adquiriram conhecimentos em uma língua estrangeira que serão úteis na sua futura carreira profissional e no cotidiano das relações e interações cada vez mais globalizadas. Os alunos perceberam que é importante dominar um segundo idioma e que é divertido aprender inglês, acabando, assim, com uma ideia pré-estabelecida de que aprender inglês é dificil.
Com isso, voltaram-se para o estudo de Língua Inglesa de forma a desejarem se aperfeiçoar. O projeto, além de ajudar na promoção da cidadania dos educandos, contribuiu para a valorização tanto do ato de aprender quanto do educador. Visando a qualidade do aprendizado, o grupo foi restrito a oito alunos, para que a necessidade de cada uma fosse atendida e, também, para que houvesse tempo suficiente para que todos exercitassem o quanto fosse necessário a pronúncia.
Foi usada como referência uma fundamentação teórica que auxiliou durante a efetivação das metodologias, ou seja, materiais que colaboram para uma melhor compreensão do uso do lúdico no ensino de língua inglesa, uma vez que esta é força motora e o diferencial deste trabalho se comparados aos métodos de ensino tradicionais das escolas regulares. Alguns autores foram enfatizados, tais como Vigotky e Wallon, os quais valorizam o lúdico como ferramenta pedagógica fundamental ao desenvolvimento dos aspectos sociocognitivos dos educandos, principalmente a criatividade, a autonomia e a cooperação.
No intuito de promover a motivação dos alunos e tornar a aprendizagem mais significativa, bem como complementar teoricamente este projeto, foram utilizados compêndios para auxiliar no pensamento de novas práticas e atividades a serem inseridas neste contexto, além de uma pesquisa no âmbito do ensino de língua, visando (re)conhecer as estruturas mentais do processo ensino-aprendizagem, para que os esforços resultassem de maneira proficiente.
A metodologia utilizada é baseada na abordagem comunicativa para o ensino-aprendizagem de língua inglesa. Essa abordagem prevê a inclusão de atividades que promovam a interação constante entre alunos e seus pares, alunos e professor, atividades que proporcionem o uso real da língua estrangeira, além de atividades lúdicas, tais como bingo, uso de gravuras, ditado agitado, músicas, palavras cruzadas/caça-palavras e gincanas. O projeto faz uso da coleção didática English Express como material de apoio, a fim de facilitar a introdução aos temas e conteúdos a serem estudados ludicamente. Este livro representa o único custo imposto às famílias envolvidas, uma vez que o projeto não possui patrocinadores ou qualquer outra ajuda de custo para a realização do trabalho.
As aulas seguiram em parte o livro da coleção, sendo este usado como guia de conversação e base para os exercícios de áudio. Cada aluno tinha um CD de áudio, para que o aprendizado fosse contínuo e eles pudessem praticar em casa o que foi aprendido em aula.
Inicialmente sete alunos compuseram a turma, uma aluna do primeiro ano do ensino médio, da turma 1001; cinco alunos da oitava série, quatro da turma 82 e uma da turma 83; e uma aluna da sétima série, turma 72. Apenas um aluno já fez aulas extras de inglês anteriormente e por isso tem maior conhecimento do idioma, tanto gramatical quanto de pronúncia. Os demais, apesar de cursarem séries diferentes do ensino regular, têm o mesmo nível de conhecimento.
A primeira parte do estudo, que completa as atividades do primeiro livro da coleção, é composta por 18 encontros de 3 horas, só foi possível realizar os 15 primeiros, devido ao início do período de férias escolares. Como o grupo era composto por alunos dos turnos da manhã e da tarde, os encontros aconteciam das 17h45 às 20h45, em uma sala de aula cedida pela diretora da escola. Cada aluno trouxe uma autorização, devidamente assinada pelo responsável.
O grupo teve uma boa integração e a vontade de aprender e estudar transpareceu desde o primeiro momento do encontro. Iniciamos a primeira aula cinco minutos depois do horário, devido ao atraso de uma das alunas, mas o intervalo, que deveria ser de quinze minutos, foi de dez, dada a ansiedade que estavam por terem aula.
Cada aula foi registrada em um diário de classe, sob forma de relato de atividades, que serve, também, como material de avaliação individual dos alunos, tendo sido registradas todas as etapas do aprendizado, bem como a evolução da aquisição de linguagem e desenvoltura na prática do idioma.
A partir do oitavo encontro entrou a oitava aluna para o grupo. E no décimo segundo encontro aconteceu a primeira avaliação escrita. A média da turma foi 74, sendo as seguintes as notas de cada aluno: 97; 81; 81; 78; 73; 73; 71; e 35. As avaliações foram devolvidas aos alunos depois de corrigidas e registradas no diário de classe.
Os jovens participantes do projeto foram avaliados qualitativamente durante cada encontro, através da observação do desenvolvimento das habilidades de pronúncia e escrita, assim como pelo comprometimento de cada um na realização das atividades propostas. Ademais, duas avaliações escritas foram elaboradas, uma ao término do projeto e com o conteúdo total trabalhado ao longo do semestre e outra intermediária, realizada quando da conclusão de metade dos trabalhos. Ambas compostas por questões de áudio e gramaticais.
Apesar do pouco tempo de realização, “Grupo de Estudos de Inglês” já apresentou bons resultados no primeiro semestre de atividades, dentre os quais destaco:
- Melhora significativa das notas dos jovens envolvidos no projeto na disciplina de língua inglesa;
- Maior interação e respeito mútuo entre os alunos, além de tolerância às diferenças;
- Aumento da capacidade cognitiva relacionada ao processo de ensino-aprendizagem da língua inglesa;
- Maior autonomia dos alunos frente a tarefas e exercícios;
- Melhora no senso de responsabilidade (entregar tarefas em dia, cumprir horários e regras necessárias para o bom andamento do projeto).
- Conscientização da necessidade do aprendizado da Língua Inglesa, tanto para fins acadêmicos quanto profissionais;
- Prazer no aprendizado e percepção de sua aplicabilidade no cotidiano;
- Idealização de um objetivo profissional voltado ao uso da Língua Inglesa como ferramenta de trabalho.
As três aulas que faltam para o término do primeiro módulo acontecerão assim que iniciarem as aulas na escola, sendo que será acrescentada uma aula para retomada do conteúdo, devido ao longo período de férias.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA FILHO, J.C.P. Dimensões comunicativas no ensino de Línguas. Campinas, Pontes, 1993.
ANDRADE, Ana Isabel O. e SÁ, Maria Helena A. B. A. Didáctica da língua estrangeira. Porto : Asa, 1992.
BROWN, H.D. Teaching by Principles. An interactive approach to language pedagogy. Englewood Cliffs, Oxford , 1994.
DEIRDRE, H. & HERD, C. Word games with English. Oxford , Oxford , 1994.
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HARMER, J. Teaching and learning grammar. New York , Longman, 1993.
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LEE, W.R. Language Teaching Games and Contests. Oxford, Oxford, 1993.
SCARPATO, M. Os procedimentos de ensino fazem a aula acontecer. São Paulo, Editora AVERCAMP, 2004.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994.



Este é realmente um projecto promissor
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