Nenhum estudante escolhe ter dificuldade em ler e escrever
Nenhuma criança escolhe ter dificuldade em ler e escrever.
Nenhum aluno quer ouvir os deboches dos colegas por escrever errado ou ler errado.
Qual menino ou menina vai, por livre e espontânea vontade, ser considerado "burro" por não conseguir o que a maioria dos colegas consegue?
Diferente disso, eles costumam ficar orgulhosos de si sempre que fazem algo bem feito, vêm mostrar várias vezes para o adulto as coisas que fazem porque querem um elogio, e cada vez que recebem um elogio pelo que fazem bem ficam visivelmente felizes!
Eles têm uma dificuldade específica que, muita vezes, tem nome. É impossível avaliar na escola sem levar em conta essas dificuldades, mesmo em Língua Portuguesa.
Acontece que professores de outras disciplinas acabam por julgar o professor de Língua Portuguesa como ineficiente em seu trabalho, por observar que alunos em idade de já saber escrever com uma certa fluência ainda não conseguem fazer isso. O que existe, na verdade, é uma observação das especificidades desses alunos e o entendimento de que cada um tem seu tempo de aprendizado. Ainda, entende-se que esses estudantes se desenvolvem melhor na escola quando estão com pares da mesma idade. Afinal, uma criança que tem dificuldade de ler e escrever, quando a maioria dos colegas já tem fluência, ficar com colegas de aula em idade bastante inferior a sua, só seria colocar no desenvolvimento dele mais um problema!
Professores, por favor, observem com mais atenção as especificidades dos seus estudantes. As avaliações não servem apenas para classificá-los, mas, sim, para entendê-los, conhecê-los e avaliar o quanto o nosso trabalho, no processo de ensino e aprendizagem, está sendo eficiente.
E não é o fato de o aluno não ter laudo que nos impossibilitará de levar em conta suas dificuldades. Principalmente para nós, professores de escolas públicas, que sabemos que, muitas vezes, nossos alunos não têm acesso ao diagnóstico necessário por uma questão social, que envolve diversas outras coisas. Mas como profissionais da educação, sensíveis a essas questões, com certeza não deixaremos de tratar esse aluno de maneira especial. Não é nossa função diagnosticar e nem é ético usarmos os termos médicos específicos caso nenhum profissional habilitado tenha feito isso. Não se trata dessa questão, mas do desenvolvimento do aluno de maneira integral que compete a nós, educadores, no âmbito escolar.
Existe uma imagem que ilustra bem essa situação, em termos de sala de aula plural e inclusiva, devemos ter diferentes olhares para diferentes necessidades. Tendo em vista que a escola hoje é para tod@s e que temos uma diversidade imensa dentro de cada turma, imaginar que seremos justos oferecendo para tod@s o mesmo suporte é excluir muitos do seu direito a uma educação de qualidade que vise atender às suas especificidades.
Temos aqueles alunos que chegam à escola, aos seis anos, e já sabem ler e escrever, temos aqueles que os pais participam da vida escolar deles, os alunos que têm proteção em casa, alimento, laser; por outro lado, temos os que não têm nada disso. Será certo ter o mesmo critério de avaliação para tod@s?


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